quinta-feira, abril 14, 2016

446 - História do Capão do Leão por Magda Costa - Parte 3

Diário da Manhã, 21/08/1983



"É indispensável que se revolva o passado, que a tradição desperte o ânimo coletivo, cultuando a sucessão dos velhos acontecimentos e na interposição dos anos, trazer viva a ação destemerosa dos que deixaram um legado imenso à posteridade ".   OLYNTHO SANMARTlN

Em 19 de fevereiro de 1737, Silva Paes comandando um contingente militar, desembarcava em Rio Grande, instalava-se e passava a acolher os egressos da Colônia do Sacramento, cumpria-se noutro termo os objetivos de Martin Affónso de Souza,  quando por estas paragens andou. Martin Affonso e a sua expedição com suas caravelas singravam o Atlântico em missão de reconhecimento da costa sul até o estuário do Prata, observando e denominando os acidentes que encontravam. O Brigadeiro José da Silva Paes-, ocupando a margem do Canal de São Pedro do Rio Grande, propiciava ao cetro Lusitano a sua projeção aqui na região sul, resguardando dessa maneira, para a Coroa, a riqueza das terras do chamado "Continente de São Pedro", em 1808, com o restabelecimento da sua condição de Vila, deixava de ser a Capital, entretanto no desenvolver dessa gloriosa marcha, houvera surgido Pelotas. Em 1758, Gomes Frei de Andrade, Conde de Bobadela, "Capitão-General das Capitanias do Sul, tornava donatário do primeiro trato de terra, o Coronel Thomaz Luiz Osório". Essas terras partindo do rincão originário do município de Pelotas estendiam-se desde o Sangradouro Mirim (São Gonçalo) e arroio Pelotas, contornando o Arroio Correntes e de este até a lagoa dos Patos, no lugar de Cangussú. Com o andar do tempo o litoral ia sendo partilhado: Sete estâncias surgiram: Feitoria, Pelotas, Monte Bonito, Santa Barbara, São Thomé, Pavão e Sant' Anna (área do atual Capão do leão).  Dentre estas estâncias destacamos a de Raphael Pinto Bandeira, Thomaz Luiz Osório, Felix da Costa Pereira Furtado de Mendonça, Pe. Doutor Pedro Pereira Fernandes da Mesquita, respectivamente pai e tio do jornalista Hipólito da Costa Pereira Furtado de Mendonça; Tenente Juvenal Manuel Marques de Souza, José da Rosa, Fernandes Araujo e Braz da Silva.

Pelotas, desde o ano de 1830, quando foi desmembrado do Rio Grande, não sofreu um processo de estagnação, prosseguiu a sua marcha estruturando o seu progresso e junto dele o Capão do leão, o novel Município, motivo deste labor histórico.

"A História é a alma de um povo"! Alguém já disse e nós reforçamos, o conceito. Dos feitos realizados pelos seus antepassados emanam a força e a dignidade de uma nacionalidade. .

Ante o cenário do Capão do Leão, desfilavam as carretas rumando em direção ao Saco do laranjal, fazendo a travessia no Passo do Santa Barbara tomavam o rumo das Três Vendas, para atingirem o cotovelo do Pelotas, que uma vez transposto chegava à Foz do São Gonçalo. Algumas dessas carretas conduzindo' em seu interior fartas colheitas de trigo. Lá iam elas, por vezes atravessando as várzeas descampadas, onde aos poucos se construíam os municípios de Jaguarão, Herval e Arroio Grande. Algumas dessas carretas eram itinerantes desde  as Pontes da Palma, a chamada Estrada do Trigo, descendo rumo à Barra do Piratiní, com estágios na estância do Liscano, onde situava-se o Porto de D. Antonia,  para nesse porto vasar a mercadoria dos seus surrões nos porões dos hiates que desceriam o São Gonçalo, com destino aos mercados consumidores.

Faziam-se também ouvir pelas caladas da noite ou pelo amadurecer das madrugadas, o mugir do gado e a voz velada dos tropeiros que o impulsionava na carmnhada que se estendia desde as estâncias até aos estabelecimentos saladeris. Outras vezes, pelas tardes solarengas ou hiboernais, as tropas cruzavam-se com os mascates atravessando os campos. Doutra feita, os tropeiros ao regressar para os ranchos, "pelas maõazitas", à hora do "amargo", sob a sombra de uma árvore amiga mateavam e charlavam com algum estancieiro acompanhado do Piá, rumando à vila, para tratar de negócios.  Nesses encontros, quase sempre o assunto versava em torno do rendimento da safra dos cereaes ou do consumo do Charque. Foi num desses encontros onde se saboreia o amargo, adoçando a alma, que um estancieiro contou aos tropeiros que o filho do coronel Thomaz Luiz Osório, que tinha o mesmo nome do pai, ajudando o Junior, fundará o primeiro estabelecimento escolar no Rio Grande de São Pedro do Sul, em 21 de abril de 1768.

Dessa fascinante faina progressista participaram os primeiros moradores do Capão do Leão. Pioneiros de uma evolução sócio-econômica.

Dessa apreciável evolução, os leonenses, em unidade, são no presente, os legítimos legatários.
 

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