quinta-feira, abril 14, 2016

445 - História do Capão do Leão por Magda Costa - Parte 2

Diário da Manhã, 14/08/1983



"É o momento oportuno para prestar a grande (e tardia) homenagem a seu habitante mais ilustre, dando seu nome ao batismo da unidade geográfica. Pensamos que dando o nome de Hipólito da Costa ao município emancipado seria a maior demonstração de maturidade histórica - cultural, que se tenha noticia no municipalismo brasileiro. Estar-se-à resgatando para o Altar da Pátria, um nome ate aqui não suficientemente projetado em sua real grandeza.” - RAUL QUEVEDO

Em 20 de junho de 1807 ao concluir-se a medição do lugar denominado: Pantâno da Estiva, chegavam ao seguinte resultado:
350 braças pela margem do Rio do Pavão;
500 braças até o Passo do Pavão;
450 braças até a Picada do Cordão da Olaria;
250 braças até a Olaria;
300 braças em linha direta até as casas da

Estância do Pavão e dali até a margem do Arroio do Pavão; 1.100 braças à Oeste até o Capão do Contrabandista; 200 braças até ao final da divisa do Arroio do Contrabandista a um banhado cheio de Sarandis, onde foi levantado um Marco; 600 braças até o alto da Sombra, onde existem umas grandes pedras junto a um Coqueiro, 1350 braças, costa do Arroio do Feijão; 1250 braças até chegar ao fim do Arroio do Feijão, com umas casas de urna fazenda, então lá existente, ainda anotando-se 900 braças até o Arroio do Potreiro da Cria. (dados extraídos do acervo Histórico existente no Museu da Biblioteca Pública Pelotense. Lá pelo ano de 1777, essas extensões de terras dividiam-se em propriedades de Rafael Pinto Bandeira, Pe. Doutor (tio de Hipólito da Costa), Tet. Juvenal Manoel Marques de Souza, Felix da Costa Pereira Furtado de Mendonca, Fernando Araújo e José da Rosa. Em 20 de fevereiro de 1816 a Estância do Pavão, propriedade do Brigadeiro Rafael Pinto Bandeira, era vendida por seus legatários Comendador Domingos Monteiro Bandeira e sua mulher Josefa Pinto Bandeira, (filha do Brigadeiro) a José Barbosa Menezes, seus irmãos e seus parentes.

Em 7 de novembro de 1826, Antonio Manuel Fernandez e sua mulher Umbelina Luiza Fernandez, vendiam a José Ignácio da Cunha, um pedaço de terra denominado Capão do Leão e ainda um pequeno potreiro, no mesmo campo, bens esses que o casal tinha havido por legítima de sua sogra e mãe, D. Teresa da Silva Baldez. Fração de campo que em 1787 fora transacionada por Mânuel Moreira de Carvalho e sua mulher Maria dos Anjos da Encarnação à Alexandre da Silva Baldez. O referido campo, compreendia a metade da estância que haviam comprado de Antonio dos Santos Saloio. A propriedade confinava-se a leste com as terras de José da Silva, e o potreiro pertencente a Felix da Costa Pereira Furtado de Mendonça, lindeiro com a propriedade do Pe. Feliciano Antonio Almeida e a Oeste com Antonio Teixeira Corisco e ao Sul e Sudeste, limitava-se com a estância de Rafael Pinto Bandeira, um dos bravos estrategistas dos planos de combate contra as hostes guerreiras espanholas, comandadas pelo General D. Pedro Ceballos, por ocasião da invasão das Ilhas de Santa Catarina. Esse aguerrido combatente com a sua estratégia desarmava o General Ceballos, dos seus propósitos de retomar o Rio Grande que desde 1777 temperara a sua interpidez, com o sanpue derramado e a dor provocados pela vigencia do Tratado de Santo IIdefonso, por ocasião da retomada da Colônia do Sacramento.

O desenvolvimento e o progresso de São Pedro do Rio Grande eram muito maiores do Que a ambição da Coroa Espanhola.

A dor só produz sofrimento naqueles que não amoldam a sua resistência com a têmpera dos fortes, dos imbatíveis, ao contrário, ela abre os caminhos para a aprimoração individual e o progresso comunitário.

Os espanhóis compreendiam que estava acontecendo um milagre na região do Rio Grande do Sul.

Rafael Pinto Bandeira reprisando a bravura da legendária figura de Sepé Tiarajú,  rechaçava as hostes espanholas, comandando interpidos gaúchos desde as quebradas e coxilhas do Rio Grande, erguendo bem alto o brasão do seu ideal irmandado aos anseios daqueles que impulsionados pelo esforço e a tenacidade, plasmavam uma geração fecunda.

Certamente que esse brasão estaria gravado no fundo azul do ceu pampeano e constituir-se-ia de uma chave abrindo os portais do sol, para que ele derramasse os seus raios vivificantes sobre o solo gaúcho.

Os embates afrontados nas lides campesinas e nas fainas pelas charqueadas daqueles que povoavam e engrandeciam pelo trabalho os "tratos" de terra cuja origem tinha as suas raizes no Presidio de São Pedro do Rio Grande, refugiavam-se nas horas de lazeres no conhecido Bosque Benjamin no Capão do Leão (lá pelo ano de 1885) . "Au pitturesque Bosque" oferecia-Ihes excelente cardápio refeição aos ritmos de uma orquestra composta de maestrinos

Eis o Cardápio.
Assado com couro, almoço ou jantar           2&000
Cerveja estrangeira .                                         1&000
Cerveja Lag Bier                                                600 reis
Cerveja Dupla                                                    500 reis
Cerveja Simples                                                 400 reis
Suculentos manjares
Vinhos e Licores".


Nessa época o Brasil "Gigante deitado" sonhava com um futuro promissor. Atualmente o "Brasil" Gigante Deitado" sofre incríveis pesadelos. Desprende-se durante o sono e vai ao encontro do FMI.

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