quinta-feira, abril 14, 2016

444 - História do Capão do Leão por Magda Costa - Parte 1

Diário da Manhã, 07/08/1983



“Se a História é uma infinita paisagem que se mede por planos - são os planos da História, como disse alguém: as suas fases, os períodos as épocas; para serem devidamente apreciados os esforços dos fundadores”. -FERNANDO LUIS OSÓRIO

Em 1737 Silva Paes organizou as bases fundamentais do presidio do Rio Grande, que em 1747 transformava-se em vila. Fernando Luis Osório, escrevendo a História da cidade de Pelotas, diz: "Isto é, nunca o Rio Grande do
Sul, como pondera o sábio Saint-Hilaire - deixou de ser um presídio um acampamento bélico: - foi um simples fato nominal a categoria de Capitania que ele teve, depois de ser governo militar, sustentando em 76 anos, 11 campanhas e vivendo em guarda nas fronteiras:
1: O Rio Grande era denominado. O Sertão do Río Grande do Sul, cuja extensão territorial atingia o' Serro de Sant' Anna, parte integrante do atual Município do Capão do Leão.

Em 1774, existia em Pelotas, uma Companhia de Ordenanças. Só poderiam ser formadas onde existissem sessenta ou mais casais, de acordo com os termos da Carta Régia em 1747

Em 1774, o Alferes, Felix Pereira da Costa Furtado de Mendonça era destacado para servir na guarnição militar, sediada na Colônia do Sacramento, deixando as suas funções na Companhia de Ordenanças.

A transferência do casal Felix e Ana Pereira da Costa Furtado de Mendonça obstou que o precursor da Imprensa Brasileira, Hipólito José da Costa Pereira Furtado de Mendonça, viesse ao mundo sob o céu Rio-grandense.

Entretanto, essa glória cabe a nós, pelo Tratado de Madrid, firmado em 1759; 15 anos antes do nascimento do primeiro jornalista brasileiro, na Colônia do Sacramento, em 25 de março de 1774. Prossigamos com o nosso principal objetivo. Em 1807, por ocasião da medição do Cordão da Olaria, o Capão do Contrabandista, o Banhado dos Sarandis, onde fora levantado um Marco; a seguir surgia o Alto da Sombra terra recortada pelo Arroio San Thomé; donde divisava-se a costa do Arroio do Feijão, ostentando um coqueiro sobressaindo do centro de enormes pedras, que o tempo em sua faina destruidora rernordera-Ihes as extremidades.

Acolá, situava-se o Arroio das Pedras, completando o cenário do chamado Passo das Pedras de Cima, que dera origem ao arroio do mesmo nome. Havia a presença de um Salso com muitos braços, cercado de pedras, ele erguiase à flor da terra; Essas pedras marcavam a linha divisória do Estreito do Bosque, onde o arroio atravessava a Estância das Pedras. Um dos galhos do salso, alcançava um pequeno capão de mato, local onde situava-se uma enorme pedra de serra, que sobressaia da terra, medindo em perspectiva a altura de um homem e com as características de um ovo posto de pé, e um tanto inclinado para o pântano. Cortando o lado Norte, no seguimento do Arroio de San Thomé, proporcionando visibilidade até a estância que pertencia ao Pe. Doutor"
lindeira com· a Estância do Pavão, situada ao: Nordeste e pelo Sudeste, confrontando-se com o Boqueirão, que dava passagem à estrada geral, utilizada pelas Estâncias do Pavão e das Pedras, indo findar no local de origem do
Arroio do Feijão, até alcançar a divisa das fazenda dos Araujos . Toda essa situação topográfica, emprestava ao Capão do Leão, um cenário agreste e opulento. A fazenda dos Araujos localizava-se na area atualmente ocupada
pela "COLATE".

Os Araujos. eram grandes .charqueadores, e a charqueada lá existente, de propriedade deles, era um setor específico, altamente qualificado na economia da florescente Pelotas.

Em 7 de Dezembro de 1812, Pelotas, que desde o ano de 1749 deixara de pertencer a São Pedro do Rio Grande, elevava-se a categoria de Freguesia. Em 27 de Agosto de 1893 o Capão do Leão, tornava-se pelo Ato n° 12 4° Distrito de Pelotas e finalmente, pelo Decreto n" 7.647 de 3 de Maio de 1982 passou a ser Município.               '

A economia em potencial desse Município é imensurável, levando-se em conta que a Pedreira do Capão do Leão, está classificada em segundo lugar, no mundo; pois que, a detentora do primeiro lugar, localiza-se na União Soviética. Não é novidade histórica, que, grande parte das ruas de Buenos Aires, são calçadas com as pedras originárias da pedreira em apreço.

Para ilustrar o depoimento de hoje, vamos relatar ao leitor um episódio interessante que ficou inserido nos Anais da História do Caplo do Leão. O vereador Leonense, Enedino da Silva, quando por: ocasião de nossa visita áquele Município nos contou: que em 1870, uma empresa francesa, aprazou com a administração dos Cais do Rio Grande, as suas obras e a construção dos Molhes. Alguns engenheiros franceses vieram para  Capão do Leio, pois o material indispensável às obras, ali era encontrado. Por ocasião da permanência dos engenheiros franceses entre os antigos povoadores dessa comuna, desejando aqueles festejar a data de 14 de julho, que assinala a Queda da Bastilha hastearam na parte mais alta da pedreira, e bem visível, a bandeira francesa. Os Leonenses porém, movidos. de patriotismo, organizaram um protesto insolente, pondo campo a fora , os franceses e em lugar da outra bandeira, hastearam o Pavilhão Nacional.


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