sexta-feira, outubro 09, 2009

364 - Anotações para a História da E.E. Dr. Dario da Silva Tavares

Em carta enviada em 23 de maio de 1933 ao Sr General Flôres da Cunha (Interventor Federal no Estado do Rio Grande do Sul): Uma comissão de "residentes na Estação Capão do Leão, quarto distrito de Pelotas", solicita a criação de um Novo Grupo Escolar, atendido por um corpo de professores idôneos e competentes. Parte do texto: "Esta localidade, sr General, conta com muitas centenas de crianças, disseminadas por sua vasta extenção; destas crianças, muitíssimas criam-se analfabetas, por motivos vários, sobressaíndo, dentre os mesmos, a pobresa ou talvez relaxamento de seus pais e responsáveis; muitas outras freqüentam as escolas que temos, em número de quatro, sendo três municipais e uma estadual, todas porém, com programas tão reduzidos, com horários tão péssimos e com regularidade tão precária, que pouco falta para nada ensinar, obrigando muitos pais a mandarem seus filhos, todos os dias, aos colégios de Pelotas, com enormes prejuízos monetários e, além de tudo, correndo o risco de verem os mesmos sujeitos aos azares dessas viagens de trem ou ônibus." O grupo indicava o prédio Sr. José Luiz Behecaray para sede do Grupo escolar, por dispor de amplos salões e de ficar situado no centro da vila.

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Não tendo resposta à carta do dia 23 de maio de 1933, outra foi enviada ao Dr. João Carlos Machado por intermédio do prefeito Coronel Joaquim Assumpção, que deu valioso apoio. Parecia que o pedido seria atendido pois a Prefeitura chegou à alugar um prédio em colaboração com o Governo do Estado; depois caiu no esquecimento.

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Em carta enviada em 4 de novembro de 1935 ao Dr, Sylvio Barbedo (Prefeito Municipal de Pelotas): Nova carta é enviada mas agora para o novo Prefeito de pelotas, pedindo ao mesmo interver ao Governo do Estado. Nesta segunda carta, fala-se de somente três escolas, e todas municipais. São elas: a "Barões de Arroio Grande" com número de matrículas superior às possibilidades de ensino da única professora; a "Barões de Santa Thecla" que estava com o número reduzido de alunos devido à problemas de saúde da professora, D. Josephina Duarte (e com aulas suspensas desde outubro); e "Coronel Alberto Rosa" localizada nas pedreiras da Companhia Americana não podendo atender as crianças do "povoado" pela sua distância. Parte do texto: "Á primeira vista parece que não temos razão em reclamar contra a instrução, nesta localidade, porém, infelizmente para nós, que aquiresidimos temos razão demasiada, porque estas escolas, além das falhas apontadas, tem um programa tão deficiente, que longe estão de satisfazer suas finalidades, porque obrigam uma criança á sacrificar anos e anos de sua infância no colégio, para ao fim saírem pouco menos de analfabetos, incapazes de escreverem razoávelmente uma carta."
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Sr Sylvio prometeu atender o pedido de acordo com as posses financeiras do município mas, iniciando o ano escolar de 1936, nada sendo feito, a situação ficou ainda pior pois a Diretoria de Instrução Municipal, alegou que o Capão do Leão não tinha população escolar suficiente. Esta decisão tinha sito tomada como base em um recenceamento de 1933.
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Em março de 1936, o comitê que estava pleitando a escola, fez um novo censo pesquisando 273 famílias que totalizou 821 crianças sendo 521 menores de 5 anos e 300 crianças de 5 até 14 anos de idade.
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Este censo foi enviado, junco com uma carta para o Cel. Antenor Barcellos Amorim, Deputado Estadual, no dia 23 de junho de 1936, pedindo que este aceitasse a incubência de ser o porta voz dos moradores do Capão do Leão, junto ao Governo do EStado, pleitando a criação do novo Grupo Escolar. Na carta consta: "Das 3 escolas que temos em funcionamento, uma se conserva superlotada, com perto de 90 alunos, já ha dois anos; outra, a principal, esteve fechada de outubro de 1935 á abril de 1936, por doença e morte da respectiva professora, funcionando o resto desses dois anos com muita irregularidade e sempre com matrícula reduzida, devido aos pessimos professores que tem tido e, ainda mais, pelas precarias condições hygiênicas em que se encontra o prédio, que mais parece uma tapera, do que um edifício escolar e, finalmente, a terceira, localizada nas pedreiras do Estado, teve as mesmas irregularidades de funionamento, devido aos professores." ... mais ... "Hoje, felizmente, temos essa situação melhorada, graças à Exma. Srta Cecy Aquini Netto, distinta Professora diplomada pela Escola Complementar de Pelotas, que se prontificou à ceder aos insistentes pedidos que lhe fizemos, no sentido de abrir uma aula particular."

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Dona Cecy dava aulas em um prédio atrás da Igreja Santa Tecla. http://capaodoleao.blogspot.com/2009/10/363-escola-baroes-de-santa-tecla.html

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Em 27 de junho de 1936, o comitê enviou carta ao Sr, Prof. A. Guerreiro de Lima, Diretor de Instrução Pública do Estado. Complementando o que já haviam dito nas cartas anteriores, nesta também estava escrito: "Escola Barões de Santa Thecla...Por ocasião de sua re-abertura, foi designada, para ela servir, uma professora que só falava o espanhol, apesar de se dizer brasileira...; e finalmente, a EscolaCoronel Alberto Rosa, ... está sob a regencia de um professor, transferido do Passo das Pedras, porque os habitantes daquela localidade protestaram contra a sua permanência lá, visto que, em vez de atender a aula, passava os dias jogando o osso, na frente da mesma, dando assim belos exemplos aos alunos. Nesta e na carta anterior, indicavam a professora Cecy Aquini Netto para este novo Grupo Escolar.

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Finalmente, em 1937 foi criado o novo Grupo Escolar. No jornal "Diário Liberal" de 22 de março de 1937 sai uma notícia com o título "Grupo Escolar no Capão do Leão". Vou escanear e colocar em um outro post.

Foto: Este foi o primeiro prédio do Grupo Escolar Dario da Silva Tavares e pertencia ao Sr. José Luiz Behocaray.




Este foi o segundo prédio do Dario, construído com Brizoletas. Veja em: http://capaodoleao.blogspot.com/2009/04/324-as-brizoletas-da-ee-dr-dario-da.html
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Quando Pedro Simon foi Governador do Estado (1987-1990), foi Delegada de Educação na 5a DE, a Prof. Ana Maria Victoria Silva. Naquela época, cada delegado deveria indicar 3 prioridades para a Região. Não só porque Ana Maria é leonense mas porque a construção de um novo prédio para o Dario tinha tudo para ser uma destas indicações, pois funcionava em um prédio de madeira, já precariamente, tinha terreno próprio e ficava situada no centro do município. Na época era prefeito o Getúlio Victoria que também se empenhou na busca desta prioridade. O prefeito seguinte, Manoel Nei, também deu o maior apoio, alugou um prédio para a escola pudesse funcionar enquanto a nova estava sendo reerguida.

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Quando o novo prédio ficou pronto, quem inaugurou foi o novo Delegado de Educação, sr. Neiff Olavo Satte Alam.

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A Professora Ana Maria tem grande orgulho de ter lutado por este novo prédio para a escola onde ela fez seu primário. Ela sempre foi muito estudiosa e sempre tirou boas notas. Nunca colou como o Prof. Neiff disse em piada do dia da inauguração.