terça-feira, maio 19, 2009

343 - O Bandido Miguel

Havia, por volta dos anos 1948 e 49, no Capão do Leão, um temido bandido e eu escutei várias versões da história dele, que todos conhecem por Miguel. Vou tentar fazer um resumo.
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Miguel era um negro, do Pavão, filho de uma senhora que lavava roupas (a mesma recebia os rapazes em sua choupana). Quando jovem, roubava galinhas e ficou conhecido como ladrão. Com o tempo, ficou levando as culpas por todos os roubos que aconteciam na região. Foi perseguido por roubos que fez e muitos que não fez. Aos poucos virou um bandido temido e, com seu bando, se escondeu no Cerro das Almas, mais especificamente no Cerro do Lombilho, na atual Granja Maria, de seu Gilberto Macedo Júnior.
Na época, o avô de seu Júnior, tinha um empregado chamado Seu Feliz. Seu Feliz sabendo da localidade onde se encontrava o Miguel, contou para a polícia. A polícia tinha muita dificuldade de chegar no esconderigo do Miguel. Miguel sabendo da denúcia do Seu Feliz, matou-o.
Na época, o sub-prefeito tinha também poderes de delegado, e seu Armando Brião, sub-prefeito, estava sempre no encalso do Miguel. O Miguel já esteve com seu Brião na mira de seu revolver por não aguentar mais as perseguições que o mesmo fazia a ele mas não teve coragem de matá-lo. Em outra ocasião, o sub-prefeito foi salvo de um tiro por um botão de seu casaco.
Miguel foi preso pelo seu Brião mas fugiu. Depois foi perseguido pelos militares leonenses tendo fugido pelo Passo das Pedras. Lá, um campeiro conhecido por “Pé Queimado” conseguiu prendê-lo e entregá-lo a Polícia Civil em Pelotas. Em Pelotas, Miguel fugiu novamente, tendo ido para Tupanciretã, onde num confronto com a polícia daquele município foi morto.
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Fátima Brião (neta de Armando Brião) passou-me algumas histórias contadas por seu pai Jorge Brião, onde, uma delas, em certa ocasião, seu Armando deu carona a uma negra velha que estava na estrada, em direção ao Capão do Leão e, após, ficou sabendo que era nada mais nada menos que o negro Miguel fantasiado.
Fátima conta também que seu outro avô (o materno), Idelino Castro, também, em certa ocasião, prendeu o bandido Miguel.
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[ATUALIZAÇÃO 17/09/2009: Sr. Jorge Brião e Fátima Brião] Certa feita o Dr. Atos, Delegado Regional de policia de Pelotas, disse pra o Delegado Armando Brião que ele estava ficando louco perseguindo uma imaginação, que Miguel não existia. Daí Brião disse que quando soubesse que Miguel esttivesse no acampamento, mandaria chamá-lo. Passando um tempo ele viu sinal de fogo nas pedreiras, mandou avisar Miguel que um Delegado de Pelotas iria visitá-lo. Chamou então o Del. Atos. Eles foram pelos campos de Modesto Martins (atualmente terras do seu Edar Ribeiro), e quando eles tinham andado uns 500m seu Brião viu que uma cadela começou a dar sinal, ouviram então a voz de Miguel que gritou..."virem-se de frente que não gosto de matar ninguém pelas costas". Estou com a arma matilhada. Querias me prender? Se o Brião não conseguiu muito menos tú. Descarreguem suas armas e vão embora daqui. Após isso o Del. Atos acreditou na existência de Miguel.
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[ATUALIZAÇÃO 17/09/2009: Sr. Jorge Brião e Fátima Brião] ...em outra ocasião, foi um caminhão com homens de Pelotas para rastrear o mato em busca de Miguel e mais um teco-teco sobrevoando o Cerro em busca de pistas.
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Mais sobre o assunto:
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Quem souber mais, por favor conte sua parte.
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Fonte e agradecimentos: - Seu Jorge Brião e Fátima Brião (por email e orkut); Gilberto Macedo Júnior; Gilmar Maciel; Joaquim Dias; Bruno Farias, meu pai.

segunda-feira, maio 18, 2009

342 - O Telefone



No livro "Tipo Assim" do Cantor, Compositor e Escritor Kleiton Ramil [RAMIL 2003: 99], consta o seguinte texto, sobre o telefone:
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O telefone foi inventado por Alexandre Graham Bell em 1876. O então presidente dos Estados Unidos, Rutherford Hayes, do alto de sua sabedoria, setenciou: "É uma invenção extraordinária, mas quem vai querer usar isso?"
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No início, o aparelho telefônico era uma caixa de madeira e ficava preso na parede. Lembro de ter usado um no armazém do Capão do Leão. A gente falava em uma corneta preta que conduzia a voz até o microfone. No ouvido, era preciso encostar um objeto, que lembrava um desses punhos de motocicleta, para poder escutar o que alguém dizia do outro lado da linha. Era preciso dar manivela pro negócio funcionar. Aguardava-se um pouco, aí atendia uma telefonista que perguntava com quem você queria falar... Não havia muitos aparelhos na cidadee a telefonista conhecia todo mundo pelo nome. Pelo menos em Pelotas.
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Este texto do Kleiton me fez lembrar que, nos anos 70 e início dos 80, quando Pelotas já possuia centrais automáticas, onde para ligar de um telefone para outro bastava "discar" o número, a vila do Capão do Leão ainda utilizava os telefones antigos. Lembro de ligar para meu avô, de Pelotas, e atendia a telefonista perguntando com quem eu gostaria de falar. Eu dizia o número, pois cada telefone tinha um número de 2 algarismos, e lembro de ter recebido uma resposta: "Seu Ruy não está. Está para a cidade", dizendo que meu avô tinha ido à Pelotas.
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[RAMIL 2003] RAMIL, Kleiton. Tipo Assim. - Porto Alegre: RBS Publicações. 2003. 160p.
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Mais em:

sábado, maio 16, 2009

341 - Sonho Sem Fim - Mais Fotos

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Mais fotos da filmagem de "Sonho Sem Fim", no Capão do Leão...

340 - Viagem gaudéria em Capão do Leão


Saiu no Diário Popular, no dia 19/09/2002...


O motorista de um ônibus de linha normalmente é figura que passa despercebida pelos passageiros, exceto se comete alguma "barbeiragem". Com Paulo Luiz Tavares, condutor da linha Capão do Leão-Pelotas, a situação é diferente e atípica. Como bom tradicionalista, ele trabalha pilchado como forma de homenagear a Semana Farroupilha. Fica impossível não ser notado, até porque tem a companhia de uma bela prendinha, sua filha Katerine, de 12 anos, que anima o percurso tocando gaita. A jornada cumprida por Tavares é de sete horas diárias. Ele diz que se sente mais à vontade trabalhando com traje típico gaúcho. Não há lenço que comprima o pescoço, bota que aperte os pés ou bombacha que o incomode durante todo o tempo que permanece sentado à direção do veículo. Este é o segundo ano que é atração no ônibus que dirige.As reações das pessoas são mais ou menos as mesmas. Mostram-se surpresas no início, quando se deparam com o motorista gaudério. Mas logo sorriem, elogiam e consideram o trajeto mais suave, ao som da gaita de Katerine. Tavares faz parte do CTG Tropeiros do Sul, no Capão do Leão, e sua filha integra a invernada artística da entidade. Funcionário da Bosenbecker há 20 anos, recebeu, assim como ocorreu no ano passado, uma cesta básica como incentivo por cultuar o tradicionalismo. Aliás, é o único entre os colegas que aderiu à proposta lançada pela empresa.

339 - Cavalgada Cultural Conhecendo o Capão do Leão

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2007 - II Cavalgada
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2008 - III Cavalgada
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No Orkut

terça-feira, maio 12, 2009

338 - IV Cavalgada Cultural - Caminho Percorrido

Saindo do CTG Tropeiros dos Sul no dia 1 de maio em direção à Hidráulica, e chegando na Praça João Gomes no dia dos 27 anos do Capão do Leão (03/05) pelo sentido contrário, a cavalgada percorreu cerca de 100 km passando pelas terras de seu Luiz Krolow (na Hidráulica), Parque Morro do Leão (divisa de Capão do Leão e Morro Redondo), Centro de Domas Queixo-Duro (Passo das Pedras de Baixo), Estância Chaves (Pavão), Granja Maria (Descanso) até chegar na Avenida Narciso Silva para o desfile defronte ao Altar da Pátria, do Sr Quevedo (Prefeito) e Sr Cláudio Victoria (Vice-Prefeito).
Foram 3 dias espetaculares com boa companhia, boa comida, boa música, baile, declamações e muito mais. Ao final, eu tive o prazer de levar a bandeira do CTG Tropeiros do Sul durante o desfile de aniversário do Município.
Deixo aqui meu agradecimento aos Srs Gilmar Maciel e ao comandante Antônio Martins, aos demais organizadores, aos cozinheiros, ao Zeca do Correio, e demais equipe de apoio. Parabéns pelo evento!

(Clique na Imagem para Ampliar)

domingo, maio 10, 2009

sábado, maio 09, 2009

336 - IV Cavalgada Cultural - VIDEO - Passagem das Carroças

No caminho entre a Estância Chaves e o Descanso, a passagem das carroças em um valetão.
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335 - IV Cavalgada Cultural - FOTOS - O Desfile

O final da IV Cavalgada Cultural Conhecendo o Capão do Leão, foi na Av. Narciso Silva, defronte ao altar da pátria, na Praça João Gomes. Os cavalarianos foram recebidos pelo prefeito, vice e população, nas atividades de comemoração dos 27 anos da emancipação do município.
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Vídeo (Preparando para o Desfile)


A Caminho...









Seu Antônio Martins










Os caminhões de apoio.


334 - Freio de Ouro tem origem em Capão do Leão

Saiu no Diário Popular em 29/08/2002:

É de origem leonense a bela obra em forma de troféu denominada Freio de Ouro, consagrado prêmio da Associação Brasileira dos Criadores de Cavalos Crioulos (ABCCC) concedido aos melhores de disputa na Expointer.
Pelo menos a parte bruta do troféu, que tem o formado de freio, é fabricada na ferraria dos irmãos Wilson e Wladimir Gonçalves, na rua Catão César Madruga, 40, no centro da cidade. São eles que há seis anos produzem o utensílio que após receber o acabamento adequado se transforma no troféu em ouro, prata e bronze que a entidade entrega aos vencedores da prova disputada anualmente em Esteio.
Para a recente edição do Freio de Ouro foram confeccionados seis exemplares do utensílio. Todos são produzidos de forma artesanal, recebendo os retoques e requintes da sabedoria acumulada ao longo dos anos pelo irmãos. Desta forma, somente para a ABCCC, os irmãos já confeccionaram 36 unidades do prêmio, em sua forma original, bruta.
TRADIÇÃO - Os irmãos Gonçalves, Wilson e Wladimir, são os remanescentes de uma profissão em vias de extinção: ferreiro. Considerando que estão no ofício - apreendido com o pai, Silvino - desde meninos, Wilson, 66, e Wladimir, 64, ultrapassam a marca dos 50 anos, no ramo, produzindo equipamentos de utilização animal, como esporas, freios, ferraduras e outros afins. Foi-se o tempo em que, além de produzir a ferradura, os irmãos ainda ferravam os cavalos.
Atualmente, com o apoio de Tiago, 22 anos, filho de Wladimir, os irmãos dedicam mais atenção, na ferraria, à produção de freios e esporas. Toda o trabalho, sob encomenda, é endereçado a comerciantes de várias regiões do Estado e outras regiões, como Santa Catarina e Paraná.

sexta-feira, maio 08, 2009

333 - IV Cavalgada Cultural - FOTOS - Descanso

O Descanso, é o lugar onde os tropeiros paravam, na estrada que vai para Pedro Osório. Nesta propriedade, também se encontra o Cerro do Lombilho e, neste cerro, escondia-se, no passado, em uma toca, um famoso bandido da região, chamado Miguel. Historiadores e arquiólogos foram até estas a toca do Miguel e descobriram, inclusive, vestígio de indígenas. Provavelmente foram usadas, também, no passado, como cemitério indígena. Tem se encontrado estribos na região, da época da revolução Farroupilha, onde se deduz que podem ter havido batalhas por alí, visto que para perder um estribo não é tão fácil.

A caminho ...






Valetão aberto no caminho dificultando a passagem...








[ATUALIZAÇÃO 28/09/2009] Esta visita e outras aconteceram por intervenção de Bruno Farias. Bruno entrou em contato com a arqueologia da UFPEL e levou os pesquisadores até a Granja Maria.


Seu Edar Ribeiro e Seu Gilberto Macedo Jr (proprietário).

Seu Edar, Seu Ulisses e Seu Paulinho.


Seu Antônio Martins, Dona Odete, Gancho, Zeca, ns e Renato





Homenagem à Seu Júnior.