domingo, maio 25, 2008

274 - Estância da Gruta – Parte I


I Proprietário – Paulo Rodrigues (Roiz) Prates

Dona Antoninha Sampaio, conta em seu livro [SAMPAIO 2004: 77] que estas terras eram Sesmaria do sargento-mor Roiz, que Dona Zênia De León descreve como Paulo Rodrigues Prates [DE LEON 1994: 179]. Roiz era uma abreviatura muito usada para Rodrigues.

O estranho disto, é que nos livros de história da região, consta que Paulo Rodrigues (Xavier) Prates era sesmeiro da estância da Feitoria, entre o Arroio Grande e Corrientes, extremo norte de Pelotas, não destas terras ao sul. Consta como sesmeiro desta localidade, entre o Rio Piratiny e Arroio Contrabandista do Pavão, Antônio Araújo, ou o próprio Rafael Pinto Bandeira. Ficam aqui algumas dúvidas para se investigar. Será que eram a mesma pessoas, ou seja, o mesmo Roiz? Se sim, será que ele era sesmeiro mesmo destas terras ou acabou comprando? Quem foi o verdadeiro sesmeiro das terras entre o Piratiny e o Contrabandista?


II Proprietário – Domingos de Castro Antiqueira -Visconde de Jaguary (1795+1852)

As terras de Roiz, foram transferidas por herança aos seus genros, um deles, o Visconde, casado com Joana Maria Bernardina (+1810), que ficou com estas terras.

III Proprietário - Clara Joaquina Antiqueira Paiva (1811+1851)

Após sua primeira esposa ter falecido, o Visconde teve uma segunda esposa, chamada Maria Joaquina (+1829). Foi uma filha deste casamento, Clara Joaquina, que construiu a casa da estância, chamada na época de Estância Capão Florido, hoje Estância da Gruta. Consta que a construção é de 1853 mas, segundo a genealogia do Visconde, Clara Joaquina faleceu em 1851. Qual data deve ser a correta? Estarei pesquisando. Dona Clara Joaquina casou-se com Soares Paiva. Os Paivas eram cultos e viajados e buscaram muito do material e mobília para a casa, de Veneza. Levavam tudo de barco, pelo Arroio Contrabandista.

IV Proprietário – Maria Paiva Pinto

Os Paivas tiveram uma única filha, Maria, que casou com o Sr. Vicente Pinto e herdou a estância.

V Proprietário – Dr. Edmundo Berchon des Essarts (1864+1942)

Um grande amigo do Visconde de Jaguary, foi o Sr. Antônio Gonçalves Chaves(1813+1871), inclusive o Visconde era patrinho de sua filha Antônia, que recebeu o Castro em seu sobrenome por causa disto. Lembrando, o nome do Visconde era Domingos de Castro Antiqueira. Antônia, que recebeu nome de batismo Antônia Castro Chaves (1870+1914), casou em 1883 com o Dr. Edmundo Berchon des Essarts, que comprou a estância da recêm falecida Maria Paiva Pinto.

VI Proprietário – Vera des Essarts Carvalho (1897+1918)

Quando Dona Antônia faleceu, a estância ficou de herança para a filha Vera, na época com 12 anos de idade. A pequena Vera que escolheu o nome Estância da Gruta, vindo de “Gruta Azul”, pois a pouco tinha viajado para a Itália e gostado das águas azuis e transparentes vistas por lá.
Em 1916, Dona Vera casou com o Sr. Jaime Miranda de Carvalho(1887+1918) mas os dois acabaram falecendo pouco tempo depois, da terrível gripe espanhola.

VII Proprietário – Antônia de Oliveira Sampaio


A Estância da Gruta ficou de herança para a única filha do casal, Antônia des Essarts, nascida no dia 28 de fevereiro de 1918, 10 meses antes dos pais falecerem de gripe espanhola. Foi criada pelos tios-avós Bruno Gonçalves Chaves (1864+1896) e Casemira Garcia Chaves (1869). Dona Antônia casou com o piloto Major Luiz Raphael de Oliveira Sampaio e passou a se chamar Antônia de Oliveira Sampaio, mas conhecida como Dona Antoninha Sampaio.

VIII Proprietário – Anna Luiza Quinto Di Cameli

Atualmente, a Estância da Gruta pertence à segunda filha de três, de Dona Antoninha, Anna Luiza. Anna Luiza é casada com o Sr. Roberto Quinto Di Cameli e possue um casal de filhos.

Bibliografia:
[SAMPAIO 2004] SAMPAIO, Antônia de Oliveira. Escrevendo a História de Nossos Antepassados. Pelotas: Palloti. Jan.2004. 121p
[DE LEON 1994] DE LEÓN, Zênia. Pelotas, Casarões Contam Sua História. Vol.2. 1994. Pags. 179-182.

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CORREÇÃO EM 28 DE MAIO DE 2008

Consta em [GUTIERREZ 2001: 111] que o pai da primeira esposa do Visconde de Jaguary era Manuel Domingues, não Roiz, como descrito no livro de Dona Antoninha.

[GUTIERREZ 2001] GUTIERREZ, Ester J.B.. Negros, charqueadas e olarias: um estudo sobre o espaço pelotense. 2ed. Pelotas: UFPEL, 2001. 250p.

273 - O Fantasma da Estância da Gruta


A Estância da Gruta, antes de ser da família de Dona Antoninha Sampaio, foi da família do Visconde de Jaguary, Domingos de Castro Antiqueira. Clara Joaquina, filha do Visconde, casou com Soares de Paiva, e ficaram com a estância que, na época, chamavam de Estância do Capão Florido. O casal teve uma única filha, Maria, que tinha fama de ser muito má com os escravos. Maria casou-se com Vicente Pinto e tiveram um único filho, Vicentinho.

Dona Antoninha Sampaio conta em seu livro “Escrevendo a História de Nossos Antepassados”:


... Só tinham um filho, o Vicentinho, que vivia trabalhando na estância sem distração. Namorou uma escravasinha que ficou grávida. Quando a mãe soube, mandou que lhe dessem uma surra. Vicentinho, quando voltava a cavalo do campo, viu o corpo da menina morta num lodo, com os porcos fuçando. Chocado, foi para o arroio, amarrou uma pedra nos pés e se jogou na parte mais funda.
Tinha 23 anos o Vicentinho, na flor da idade. Maria mandou fazer, no cemitério de Pelotas, um túmulo de mármore branco e voltou para estância sozinha, com um preto velho, fiel escravo, que a cuidou até o fim. Muito deve ter sofrido e assim sua alma não descansou. Até hoje contam histórias que ela anda passeando de noite pela casa. ...

E esta é a história do Fantasma de Dona Maria Paiva Pinto.

SAMPAIO, Antônia de Oliveira. Escrevendo a História de Nossos Antepassados. Pelotas: Palloti. Jan.2004. Pags 77-82.

Sobre a Estância da Gruta:
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