quinta-feira, maio 11, 2006

81 - Primeiros Proprietários de Terras no Capão do Leão

Três das 7 primeiras estâncias de Pelotas estavam dentro do perímetro onde hoje é o Capão do Leão. São elas: São Tomé de Manoel Moreira de Carvalho, Pavão de Rafael Pinto Bandeira e Santana de Antônio Araújo.
Segundo [SAMPAIO 2004], as terras de Antônio Araújo foram do Sargento Paulo Roiz (Rodrigues) Prates. Na época era chamada de “Capão Florido”. Investigar o assunto. [DE LEON 1994] pág.178

Em pesquisa no Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul, encontrei alguns documentos de Semarias, entre eles:

Alexandre da Silva Baldez – Sesmaria concedida por Luiz Vasconcelos de Souza (1789) com 2 léguas de comprimento e ¾ de légua de largura. – “Campos no Rio Grande, que principiam em um cotovelo que forma o Arroio de São Thomé, em demanda do passo que vai para a estância do confinante Coronel Rafael Pinto Bandeira; do dito passo, em linha recta, por cima de uma cochilha que vai ao <>, no Arroio do Pestana, onde extrema com José da Silva e a Serra que tapa os referidos Campos.” F.276v
Este campo deve ser o mesmo descrito no livro do Frei Sylvio [DALL´AGNOL], página 34 e também encontrado na Revista do 1o Centenário de Pelotas, de 30 de dezembro de 1911, página 37, - Em dezoito de dezembro de 1787, Alexandre da Silva Baldez comprou de Manoel Moreira de Carvalho e sua mulher Maria dos Anjos da Encarnação, a metade da estância “São Thomé”, parte que se confina a Norte e Leste com José da Silva e o potreiro de Felix da Costa e Padre Felício Antônio de Almeida, a Oeste com Antônio Teixeira Corisco, ao Sul e Sudoeste com o Coronel Rafael Pinto Bandeira.

Félix da Costa Furtado de Mendonça - Sesmaria concedida pelo Conde de Rezende (1794) com 1 ½ léguas de comprimento e 1 légua de largura. “Campos no districto da Villa do Rio Grande, na parte septentrional do sangradouro da Lagôa Mirim. Confrontam: Ao Norte com Alexandre da Silva Baldez e Antônio Teixeira Curisco; a oeste com Francisco da Roza, servindo de divisa o Arroio São Thomé; pelo sudoeste com o cume de uns serros que o dividia dos campos do Brigadeiro Rafael Pinto Bandeira e ao Les-Nordeste com o Dr. Pedro Pereira Fernandes de Mesquita.” F.271
Segundo Fernando Luis Osório [OSORIO 1962], página 20, Félix da Costa morava em terras entre Santo Amor e Baldez.

Padre Doutor: Pedro Pereira Fernandes de Mesquita – Sesmaria concedida pelo Conde de Rezende (1794) com 2 milhas de comprimento e 1 milha de largura. “Terras no districto da Villa do Rio Grande, na parte septentrional do sangradouro da Lagôa Mirim, confrontado pelo Nordeste com Alexandre da Silva Baldez, pelo Arroio São Thomé[2]; a Oeste-sudoeste com Félix da Costa e pelo Sul e Sudoeste com o Brigadeiro Rafael Pinto Bandeira, servindo de divisa, um arroio.”.F.274v
Nesta época, estas terras foram chamadas de Serro Sant´Ana. Pode haver confusão pois existiram dois lugares com o mesmo nome. A Sesmaria da Estância Santana de Antônio Araújo que ficava entre o Arroio Pavão (Contrabandista) e Rio Piratiny e as Terras do Padre Doutor que ficavam no Serro Santana, hoje estância Santa Tecla e Centro do Capão do Leão.

Hypólito José da Costa Pereira - Sesmaria concedida pelo Conde de Rezende (1794) com 1 légua de frente e 3 léguas de fundo. “Rincão de terras no districto da Villa do Rio Grande, na parte septentrional do sangradouro da Lagôa Mirim. Confronta: Pelo Nordeste e Leste com José da Silva Lumiar, separado por um arroio que nasce na serra; pelo Oeste com Antônio Teiseira Currisco; ao sul com Manoel Moreira de Carvalho, dividindo-as um arroio que nasce na mesma serra e um outro, formando esses dois o Arroio Pestana; ao Norte com a Serra Geral.” F.273 Confome este documento, estes campos foram concedidos ao reverendo Ignacio dos Santos Pereira e transpassado ao Padre Doutor que doou a Hipólito da Costa.
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Atualização 20/05/2006
Vicente Ferrer da Silva Freire – Sesmaria concedida por D. Diogo de Souza (1814). – “Campos na Fronteira do Rio Grande, quase todos banhados, fazem frente ao Sul no Arroio do Pavão, no sitio denominado da , até desaguar na Lagoa Mirim, pouco abaixo do Passo da Béca; fundos ao Norte no Arroio de São Thomé, pelo qual se dividem com a estância de Antônio Francisco dos Anjos; a Leste com o Canal São Gonçalo, e pelo Oeste com a estância de Luiz Corrêa Teixeira de Bragança, na qual se separa por um cordão de mato, chamado de .”

Antônio Francisco dos Anjos – Sesmaria concedida por Luis Telles da Silveira, Marquês do Alegrete, (1814) com 1 légua de frente e 3 léguas de fundo. – “Campos na fronteira do Rio Grande, além do rio São Gonçalo entestando com as terras de Manoel Ignácio; por um lado se dividem com o Capitão João Antônio Pereira e pelo outro com dona Josefa Eulália de Azevedo. Fazem fundo ao referido rio.”

Josefa Eulália de Azevedo – (Havido por herança de seu falecido primeiro marido Rafael Pinto Bandeira). Sesmaria concedida por Marquês do Alegrete (1815) com 1 légua de frente e 3 léguas de fundo. – “Campos na fronteira do Rio Grande, na estância do Pavão, que confrontam: pelo Sul com o Arroio do Pavão, onte tem sua frente; a Leste com o cordão de mato da picada, que os divide do banhado da margem ocidental do rio São Gonçalo; ao Norteco meia légua do campo doado pela suplicante a João Ignácio de Azevedo, e com o Arroio de São Thomé, que os separa da estância de Antônio Francisco dos Anjos; a Oeste com a referida estância do Pavão, e que competirá por herança à dona Rafaela Pinto Bandeira.”
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Atualização 27/05/2006
- A estãncia no Serro Santana foi vendida a Antônio Pereira Bueno, antes de ser do Barão. Pesquisar.
- O Coronel Vicente Ferrer da Silva Freire nasceu em Salvador em 5 de abril de 1781. Casou com Rafaela Pinto Bandeira, filha de Rafael Pinto Bandeira com Josefa Eulália Azevedo, em 12 de outubro de 1812 em Porto Alegre. Em 26 de janeiro de 1836, morreu assassinado, junto com seu filho Diogo Pinto Bandeira da Silva Freire, na fazenda da família no rio dos Sinos (São Leopoldo). Foram mortos pelos farrapos ao comando do Cabo Rocha (Manoel Vieira da Rocha). Vicente era filho do casal baiano José da Silva Freire e Maria Pires Alvares de Miranda.
- Antônio Francisco do Anjos era filho de um contramestre de navio e, devido a isto, era conhecido como “Fragatinha”. Fragatinha tinha uma charqueada às margens do Arroio Moreira que, certa feita, num só ano abateu 54 mil cabeças de gado para fabricar carne salgada. Parte do Arroio adotou seu apelido transformando-se em Arroio Fragata. Depois, com o tempo, toda a região, apartir desse arroio e até o Santa Bárbara, ficou sendo chamada de Fragata. Também o Arroio Micaela era chamado por causa da 3a esposa de Fragatinha, chamada Maria Micaela. Antônio Francisco dos Anjos faleceu aos 84 anos de idade, na Vila do Rio Grande. Dona Micaela deu-lhe quase uma centena de filhos.
- Dona Josefa Eulalia Azevedo recebeu estas terras de herança de seu marido Rafael Pinto Bandeira. Depois ela veio a casar com o desembargador Luiz Corrêa Teixeira de Bragança.