sexta-feira, setembro 01, 2006

127 - Na Casa de Hipólito José da Costa

por Raul Quevedo

O cumprimento de dever maçônico levou-me a Pelotas, no dia 17 de novembro. Tratava-se de retribuir visita dos confrades da Loja Hipólito José da Costa nº 63, à loja homônima de Porto Alegre, feita no ano passado. Nesta viagem, além do prazer de participar dos trabalhos da Loja pelotense, tive a oportunidade de reviver visita que fiz no distante ano de 1972 à casa onde viveu a infância e primeira juventude o patrono da imprensa brasileira. Hipólito José da Costa viveu ali entre os anos de 1777 e 1792, quando viajou para a Europa, de onde jamais retornou.A casa localiza-se no hoje município do Capão do Leão, num bairro muito próximo da cidade. É um casarão em estilo manuelino, construído na frente da residência primitiva de Félix da Costa Furtado de Mendonça, pai do jornalista, já no final do século XIX, pelo Barão de Santa Tecla. Lá estive com um grupo de maçons de ambas as lojas, onde fomos recepcionados pela herdeira daquela herdade histórica, a ilustre dama Berenice Tavares Xavier Villela. Justificando sobremaneira a hospitalidade pelotense, a senhora Berenice não só franquiou-nos a visita à formosa mansão, como recepcionou-nos com um coquetel onde não faltaram os apreciados salgados e doces da terra.Sinto-me cada vez mais devedor dos gestos hospitaleiros da família Tavares Xavier. Quando visitei a propriedade no distante ano de 1972, fui recebido com nímia gentileza pela distinta anfitriã da época, senhora Amélia da Silva Tavares Xavier, neta do Barão de Santa Tecla.A visita rendeu longa reportagem por mim assinada, que foi publicada em vários jornais do País. Era o início do movimento em prol do patrono da nossa imprensa, então quase esquecido, e que resultou no reencontro de seu ilustre nome com a história contemporânea, inclusive com a mudança da data de comemoração do Dia da Imprensa.Vivi, portanto, dupla satisfação: a alegria do reencontro com o passado de 30 anos e o prazer de gozar da fidalguia da nova anfitriã, que conserva com dedicado esforço aquele monumento histórico, infelizmente ainda não devidamente explorado para o turismo.Aliás, por oportuno, devo dizer que Pelotas, principalmente, mas parte da Zona Sul, como região, têm enormes potencialidades estancadas no segmento turismo, especialmente no turismo cultural. O epicentro urbano pelotense e seus bairros e arredores, como a zona rural, esperam uma política mais agressiva nesse sentido. O Samir Curi tem se esmerado a esse respeito. Mas precisa de companheiros. Quem se habilita ?

Fonte:
Diário Popular - Pelotas, RS, Sexta, 05.12.2003 - http://www.diariopopular.com.br/05_12_03/ponto_de_vista.html

Um comentário:

Carlos Roberto S. da Costa Leite disse...

O ilustre jornalista,Raul Quevedo,do qual me orgulho de conhecê-lo,foi sempre um batalhador e um difusor da figura de Hipólito José da Costa,Patrono da imprensa brasileira. Como de costume, um texto bem escrito,rico de informações históricas. Aliás, a mudança do Dia da Imprensa para o 1º de junho ,dia do lançamento do Correio Braziliense (1808), em Londres, ocorreu graças ao empenho e persistência, desse jornalista, de enfrentar desafios e peleias das "brabas", numa sociedade burguesa acomodada e alienada do verdadeiro processo histórico negligenciado por uma historiografia oficial mentirosa em relação ao nosso Brasil e, evidente, aos homens que construíram e constroem dia a dia a terra brasilis.