terça-feira, agosto 29, 2006

123 - Minha posse na Academia Pelotense de Letras

por Zenia de Leon

No dia 11 de agosto, tomei posse na Academia Pelotense de Letras. Reservo, pois, este espaço para lembrar a vida e a obra de meu patrono Hipólito José da Costa.“Agradeço à Academia Pelotense de Letras a escolha de meu nome para ocupar a Cadeira Número 1 desta Academia, cujo patrono é Hipólito José da Costa, que é, ao mesmo tempo, Patrono da Imprensa Brasileira e da 17º Cadeira da Academia Brasileira de Letras. Hipólito José da Costa nasceu Hipólito José da Costa Pereira Furtado de Mendonça, em Colônia de Sacramento, atual República do Uruguai, no dia 13 de agosto de 1774. Na época, Colônia de Sacramento era domínio da Coroa Portuguesa. Hipólito José era filho de família abastada do Rio de Janeiro. Devido à instabilidade política da região, ainda criança migrou com sua família para ***Pelotas, onde passou a sua adolescência. Após, mudou-se para Porto Alegre com o objetivo de estudar em cursos preparatórios para sua formação em Direito e Filosofia na Universidade de Coimbra, que concluiu em 1798. Recém-formado, foi enviado pela Coroa Portuguesa aos Estados Unidos, com a tarefa de conhecer as novas técnicas industriais aplicadas pelos norte-americanos e levá-las para Portugal. Viveu nos Estados Unidos por dois anos, tendo tido contato com as idéias maçônicas, provenientes da França e da Inglaterra. Ao retornar para o reino, em 1801 foi enviado pela Coroa para a Inglaterra, onde veio a se tornar, mais tarde, grão-mestre da Maçonaria inglesa. De volta ao reino, foi detido por três anos, acusado pela inquisição da Igreja Católica de disseminar a maçonaria na Europa. Em 1805, radicou-se na Espanha, mudando-se posteriormente para a Inglaterra, onde se exilou. Em Londres, passou a editar aquele que é considerado o primeiro jornal brasileiro: o Correio Braziliense ou Armazém Literário, o qual circulou de 1808 a 1823, tendo tido 29 volumes editados, no total. Com esse veículo, passou a defender as idéias liberais, entre as quais as de emancipação colonial, dando ampla cobertura à revolta pernambucana de 1817 e aos acontecimentos de 1821 e de 1822 que conduziriam à Independência do Brasil. Hipólito José da Costa Pereira Furtado de Mendonça ou Hipólito José da Costa faleceu em 1823, sem chegar a saber que fora nomeado cônsul do Império do Brasil em Londres e que suas idéias e atitudes seriam sempre lembradas como as raízes da Independência do Brasil. Seu legado, porém, transcende à política, à literatura e à imprensa, chegando à economia e a questões sociais. Analisando-se, por exemplo, a influência de seus escritos e de sua obra jornalística no pensamento econômico brasileiro, pode-se destacar temas relativos à abertura comercial de 1808, ao tratado comercial de 1810 e a outras questões correlatas, como as políticas liberal ou protecionista e os problemas referentes à escravidão e à colonização. E ele escreveu: “O primeiro dever do homem em sociedade é de ser útil aos membros dela; e cada um deve, segundo as suas forças físicas ou morais, administrar, em benefício da mesma, os conhecimentos ou talentos que a natureza, a arte ou a educação lhe prestou”. Com toda a certeza, Hipólito José da Costa soube fazer isto!

*** Estância Sant´ana, Capão do Leão.

Fonte: Diário Popular
Pelotas, RS, Domingo, 13.08.2006 http://www.diariopopular.com.br/13_08_06/thais_russomano.html

Nenhum comentário: