quinta-feira, março 09, 2006

8 - O Cerro do Estado


O grande impulso para o crescimento da Villa do Capão do Leão foi a exploração das pedras para a construção dos molhes do Cassino (Rio Grande).

Em 1890, o Governo Estadual resolveu dar início aos trabalhos na construção com recursos próprios levando 8 anos para começar a obra e mais de 7 de trabalhos, foram construídos apenas 95 metros do molhe leste. As pedras nesta época vinham de uma pedreira em Itapuã, próximo a Porto Alegre, a 260 quilômetros de distância. O esquema de trabalho não resistiu muito tempo, e mais uma vez os engenheiros desistiram.
Em 1905, com a obra orçada em 18 mil contos de ouro, tendo como liderança o engenheiro americano Elmer Corthel, que tinha melhorado a Barra do Mississipi nos Estados Unidos, trazendo um grupo de capitalistas americanos propondo ao Goveno a criação de uma empresa que constituisse, em 6 anos, um porto maritimo e abrisse um canal de 10 metros de calado entre a lagoa e o oceano, em troca da exploração deste por 70 anos. A companhia denominou-se "port of Rio Grande". Mal começaram as obras e os capitalistas nortes americanos desistiram.
Em 1908, o projeto saiu do papel com a "Compagnie Française du Port de Rio Grande do Sul". Passando a ser uma das 10 maiores obras hidráulicas do mundo. Na verdade para bancar uma obra de tal envergadura a companhia, consistia por um consórcio de firmas francesas. O contrato previa 1000 dias úteis de trabalho para a realização dos molhes.
A primeira providência dos franceses foi pesquisar na região onde havia granito. As reservas mais próximas estavam em Capão do Leão e Monte Bonito. Os franceses construiram 128 Km de ferrovias, só para transportar o granito.
Em 1911, começou a colocação de pedras na Barra. Para cada um dos molhes, trouxeram da frança um gigantesco guindaste chamado de "Titan" com capacidade de levantar um vagão inteiro de pedras de 30 toneladas.
Após dificuldades ocasionadas por ressacas e tempestades os molhes ficaram prontos, consumindo 4 milhões de toneladas de granito no mar até 1915. O molhe leste com 3.940 metros e o oeste com 4.012 metros, ambos com 3 metros acima do nivel do mar. Os molhes são duas linhas convergentes com 725 metros de dinstância entre as pontas, onde estão localizado os faróis de sinalização a navegação.
Até o momento relatamos a historia dos Molhes da Barra, o que não é diretamente o alvo de nosso enrredo, que tem por finalidade relatar, principalmente, a história do Cerro do Estado e seu desenvolvimento, o qual está diretamente ligado a construção dos Molhes da Barra do Rio Grande. Concluímos que se não fosse o mar não existiria o Cerro do Estado, o qual denominou-se devido ao Estado encampar a área para a exploração do granito.
Sem dúvida alguma, o Cerro do Estado apartir de 1908 passou a ter outra dimensão com a chegada de um grande numero de homens para construir a infra-estrutura desejada pela companhia francesa, inclusive uma usina termo elétrica para abastecimento de energia para todo o complexo montado na pedreira, principalmente para o funcionamento dos guindastes, os quais foram importados da França na década de 10, juntamente com duas locomotivas Maria Fumaça.

Texto copiado do site Bruno Costa: http://geocities.yahoo.com.br/pedradocapao/

Com o término da construção dos molhes da barra riograndina, a companhia francesa abandonou a exploração das pedreiras, mas ali permaneceu a maioria dos operários contratados, muitos com filhos nascidos no local e que passaram a trabalhar para outros patrões.

CURIOSIDADE: Por volta de 1919 (não sei o ano correto), vieram trabalhadores contratados na Argentina para as pedreiras, estes souberam que ocupariam as vagas de recentes demitidos por ocasião de uma greve, "partiram no mesmo vapor que os trouxera". http://geocities.yahoo.com.br/alsilvajr2000/canteiro.htm

Outras fontes:
http://www.riogrande.com.br/municipios/riogrande/rgrande2.htm.
http://www.riograndevirtual.com.br/molhesdabarra/conteudo/historico.html

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