domingo, março 26, 2006

44 - Cabo Jardim



Poucas pessoas conseguem em sua vida terem uma história tão fantástica como a do “Cabo Jardim”. José Jardim nasceu em 13/03/1908 em Uruguaiana, onde viveu até seus 20 anos de idade, trabalhando em serviços gerais na zona rural. Casou com Dona Maria Inácia, teve as filhas Selma, Neuza e é pai do ex-deputado estadual Glei Santana Jardim.

Esteve no Primeiro Batalhão de Infantaria do Partenon, em Porto Alegre por um ano. Após foi transferido para Pelotas, quando assumiu o destacamento de Pelotas, onde participou da criação do Quarto Batalhão de Caçadores de Pelotas em 1931. Neste mesmo ano, foi incumbido de assumir o destacamento de Capão do Leão, onde tinha na época seis homens. No final no ano 31, voltou a Pelotas.

Em 1932, particiou dos homens que foram defender o RS contra o estado de São Paulo. Foram de navio, e após alguns dias chegaram ao Rio de Janeiro, onde ficaram no Segundo Regimento de Cavalaria-Dragão. Já em São Paulo, fez parte da linha de frente no combate, do RJ a SP foram de trem. No município de Resende iniciaram a combater, tendo ido até Guaratinguetá, numa luta que durou mais ou menos três meses. Quando São Paulo “se entregou” voltaram ao Rio, nesta luta perderam apenas 5 homens. Do Rio de Janeiro, voltaram ao Sul, novamente de navio, chagando no município de Rio Grande retornou à Pelotas. Comentou, que sofreram muito nesta batalha, pois na havia alimentos e nem mesmo água potável para tomar. Para aliviar a sede, tinha qua lamber o lombo do cavalo, levantando a “carona”, com suor, alivia também a fome. Em 1938, foi destacado para servir em Santa Vitória do Palmar até 1940. Em 1941, voltou a Pelotas ficando até 42.

Em 1943, foi com uma CIA da Brigada Militar para Bagé, onde mais uma vez a vida lhe jogava em trabalhos de Guerra. Desta feita, teria que defender a fronteira do Brasil, contra possíveis invasores Alemães. Em 1946, “Cabo Jardim”, retornou a Pelotas, onde foi indicado a comandar o Posto da Brigada em Capão do Leão, tendo ficado até 17/03/1954 quando se reformou. Residindo no município, criou seus filhos no Capão do Leão, sendo que apenas a filha mais velha não é leonense. Como fato curioso de seu comando, teve que enfrentar uma quadrinha de abigeatários que se instalou no Cerro das Almas, dirigida pelo famoso bandido Miguel e seis homens. Miguel foi perseguido pelos militares leonenses tendo fugido pelo Passo das Pedras, lá, um campeiro conhecido por “Pé Queimado” conseguiu prendê-lo e entregá-lo a Polícia Civil em Pelotas. Em Pelotas, Miguel fugiu, tendo ido para Tupanciretã, onde num confronto com a polícia daquele município foi morto num tiroteio.

Seu Jardim foi sub-prefeito e sub-delegado de Polícia no Governo do Dr. João Carlos Gastal, neste período falou de onde hoje é a praça João Gomes, havia um mato de eucaliptos onde existia uma “maloca” onde pessoas que ali residiam viviam brigando e fazendo muita desordem. Então, ele propôs construir no município ranchos para estas para estas pessoas em troca do local. Elas aceitaram e ele mandou demolir o velho prédio que ali existia. Enquanto fazia limpeza do local chegou de Porto Alegre sob o comando do engenheiro Barzoni, uma escola de madeira que seria, por ordem de Brizola, construído para funcionar o Dario Tavares. Junto com esta estavam chegando outras escolas para Jaguarão, Pedro Osório, Arroio Grande e Quinta. A escola chegou sem avisos, de surpresa e o engenheiro o terreno limpo e em condições. Jardim teve que ir urgente ao prefeito Gastal, e solicitar máquinas para a limpeza da área, possibilitando assim a construção da escola. Como o terreno tinha pouca profundidade, ele foi juntamente com o agente ferroviário Ivo, até Pelotas, onde trocaram um pedaço de terreno que pertencia a VFRGS por serviço dom: água, luz, limpeza, etc, no recinto; com isso aumentou o lote da escola. “Cabo Jardim” como também era conhecido efetuou a construção da 1ª praça onde foi colocado um busto do Agente João Gomes. Ainda com referência a escola Dario, disse Jardim que os serviços de acabamento tais como: grama, flores, etc, foram feitos por funcionários da prefeitura. Citou que construiu um chafariz contando com a ajuda do diretor do DEPREC, Rui Azambuja Volantain, e do administrado do Horto-Floretal Dr. Souza Soares.

Capão do Leão era ligado a estrada Federal de Bagé somente pelo Theodózio tendo sido criada a ligação que hoje é a aprincipal, pelo passo, por Jardim. Ele, com ajuda do Vereador Madruga, conseguiu a abertura da aestrada, junto aos proprietários da área que fizeram a doação, sendo o Dr.João Xavier, Ruy Victoria e Julieta Brizolara. Disse que chegaram a construir uns pilares para a construção da ponte, mas devido a demora por parte da senhora Brizolara em resolver a situação da doação, os pilares caíram. Foi o construtor da Primeira cancha de futebol de salão (ainda de saibro) na Associação dos Trabalhadores. Também construiu todas as dependências que ainda hoje existem no local. Também foi um dos fundadores do time de Futebol de Salão da Associação. Torcedor do Santa Tecla, referindo-se ao passado, diz lamentar a destruição dos poços artesianos que existiam na avenida e de que valeu apena a emancipação, pois reconhece o crescimento do município pensando que ainda falta muita coisa para que Capão do Leão seja um município completo, diz que espera dos admiistradores tudo de bom para a nossa gente.

Tirado do texto UM LEONENSE de Vanderlei Petiz, publicado em [TRIBUNA DO SUL], 16/11/1991, pág.4

3 comentários:

Arthur Victoria Silva disse...

Contribuição de Sharon Vieira pelo orkut: O nome da filha não é Selma, é Leila.

luciana jardim disse...

gostaria de saber mais informações sobre a familia Jardim de Capão do Leão, meu Vô nasceu em Capão do Leão era filho de Ataliba Jardim e de Diamantina Martins. obrigada. Luciana Jardim

luciana jardim disse...

Gostaria de obter maiores informações sobre a familia Jardim de Capão do Leão, meu Avô nasceu aí e era filho de Atalyba ou Ataliba Jardim e Diamantina Martins. obrigada.