domingo, julho 10, 2016

448 - Adminsitradores de Capão do Leão

Estou procurando identificar os administradores que já passaram por Capão do Leão. Ainda faltam algumas lacunas. Abaixo, o que já descobri até o momento.

Sub-Intendentes do Capão do Leão Partido Período Intendente de Pelotas
    1889 a 1893 Gervásio Alves Pereira
    1893 a 1900 Antero Vitoriano Leivas
    1900 a 1903 Francisco Moreira
    1903 a 1904 José Barbosa Gonçalves
Fernando Rohneldt   1904 a 1908 Cipriano Corrêa Barcellos
    1908 a 1912 José Barbosa Gonçalves
Serafim Cassio dos Anjos   1912 a 1920 Cipriano Corrêa Barcellos
  Republicano 1920 a 1924 Pedro Luis Osório
José Maria Alves Pereira Republicano 1924 a 1928 Augusto Simões Lopes
Heleodoro Bittencourt Medina   1928 a 1932 João Py Crespo
Sub-Prefeitos do Capão do Leão Partido Período Prefeito de Pelotas
Heleodoro Bittencourt Medina  Republicano 1932 a 1934 Augusto Simões Lopes / Joaquim Assunção Jr
José Soares Alves Pereira   1934 a 1938 Sílvio Barbedo
Heleodoro Bittencourt Medina   1938 a 1944 José Júlio Barros
Armando Brião Republicano 1944 a 1946 Sílvio da Cunha Echenique / Sérgio Abreu da Silveira
Wilsonde Oliveira Castro   1946 a 1948 Procópio Duval de Freitas
Poty Reis   1948 a 1952 Joaquim Duval
João Lucas Leite Vasconcellos   1952 a 1956 Mário David Meneghetti
Armando Brião   1956 a 1960 Adolfo Antônio Fetter
José Jardim MDB 1960 a 1964 João Carlos Gastal
Armando Brião ARENA 1964 a  Edmar Fetter
Osmar Alves Pereira ARENA 1967 Edmar Fetter
João Soares Viégas ARENA a 1969 Edmar Fetter
Sidnei Motta Brião ARENA 1969 a 1973 Francisco Lousada Alves da Fonseca
Ruy Teixeira Victoria ARENA 1973 a 1977 Ary Rodrigues Alcântara
Enedino Silva  MDB 1977 a 1982 Irajá Andara Rodrigues
Prefeitos do Capão do Leão Partido Período Prefeito de Pelotas  
Elberto Madruga PMDB 1983 a 1985 Bernardo Olavo Gomes de Souza PMDB
Getúlio Teixeira Victoria PMDB 1985 a 1988 Bernardo Olavo Gomes de Souza/ José Maria Carvalho da Silva PMDB
Manoel Nei da Costa Neves PFL 1989 a 1992 José Anselmo Rodrigues PDT
Getúlio Teixeira Victoria PMDB 1993 a 1996 Irajá Andara Rodrigues PMDB
Manoel Nei Da Costa Neves PPB 1997 a 2000 José Anselmo Rodrigues / Otelmo Demari Alves PDT
Vilmar Motta Schmitt PDT 2001 a 2004 Fernando Stephan Marroni PT
Vilmar Motta Schmitt PDT 2005 a 2008 Bernardo Olavo Gomes de Souza / Adolfo Antônio Fetter Jr PPS / PP
João Serafim Quevedo PDT 2009 a 2012 Adolfo Antônio Fetter Jr PP
Cláudio Luiz Schroeder Vitoria PDT 2013 a 2016 Eduardo Leite PSDB

domingo, maio 29, 2016

447 - 10 Anos do Blog Capão do Leão História e Cultura



Em 31 de maio de 2006 surgia o Blog “Capão do Leão História e Cultura” produzido pelo Professor Historiador, Joaquim Lucas Dias dos Santos. Aquele espaço na internet vem divulgando a história do Capão do Leão há 10 anos, com muita pesquisa, seriedade, responsabilidade e textos com uma desenvoltura de quem tem o dom para escrever e contar história.
 
Professor Joaquim, ou Lucas, como a família o chama, é filho mais velho de Suzete Cristina Dias dos Santos (30/091959-07/09/2014) e Arnaldo Ferraz dos Santos (-07/02/1989) e tem mais quatro irmãos: Daniel Francisco (07/02/1982), Elias Gabriel (04/07/1984), Karina Maria   (junho de 1986), Bárbara Cristina (setembro de 1988) e Christian (30/08/1992). É neto, por parte de pai, de Arnaldo dos Santos e Leontina Ferraz dos Santos e, por parte de mãe, de Orieny Francisco Dias e Romilda de Leon Dias. Nasceu em Pelotas, em 17 de janeiro de 1980 e mudou-se ainda guri para o Capão do Leão. Apesar de não ser leonense de nascimento, é leonense de coração e está sempre fazendo trabalhos que envolvem a história e cultura do Capão do Leão, tanto que a Câmara de Vereadores do município, através de sugestão do Vereador Valdecir Lima, concedeu-lhe o Título de Cidadão Leonense, neste último dia 5 de maio.
 
 
Figura 1 - Prof. Joaquim discursando na Sessão que recebeu o Título de Cidadão Leonense


Joaquim Dias é professor de História, formado pela Universidade Federal de Pelotas, onde tirou o 1º lugar no vestibular de 2002. E por Capão do Leão, olha o que ele já fez:

- Nos anos 90, presidiu e recuperou o Grêmio Estudantil da Escola Castelo Branco, inclusive reestruturando a banda marcial Leões do Castelo.

- Em 2003 foi um dos fundadores e primeiro presidente do ILEDEC (Instituto Leonense para o Desenvolvimento da Educação e Cultura).

- Em 2006 foi um dos fundadores e coordenadores do Projeto Cultural Conhecendo Capão do Leão. Foi um dos fundadores da Cavalgada Cultural Conhecendo Capão do Leão.

- Em 31 maio do mesmo ano, criou o Blog Capão do Leão História e Cultura.

- Possuia uma espaço no Jornal Tradição onde contava a História do Capão do Leão.

- Pesquisou e escreveu a história das pedreiras do Cerro do Estado e uma parte deste trabalho foi publicada no livro Olhares Sobre o Capão do Leão, em 2014.

- Em 2012 foi um dos fundadores do Instituto Histórico e Geográfico de Capão do Leão e primeiro presidente.

- Pesquisou profundamente a origem do nome do nosso Município,  divulgando esta pesquisa no blog, em vídeo e em um artigo publicado no livro Olhares sobre o Capão do Leão, em 2014.

 Figura 2 - Prof. Joaquim, Jorn. Bruno Farias e Arthur na Gruta do Miguel
 
 Figura 3 - Prof Joaquim e Profa. Ana Maria Victoria Silva representando o IHGCL no programa Razão e Fé, de Maria Elisabete Moura

... E, com certeza, devo ter esquecido  mais algumas coisas.

Neste 31 de maio de 2016, a comemoração não é somente pelos 10 anos do Blog Capão do Leão História e Cultura mas também é pela comemoração de todo um trabalho realizado por uma pessoa que se dedica pela história e cultura do nosso pago. Parabéns e muito obrigado Prof. Joaquim. 
 
Arthur Victoria Silva (com ajuda de Luiz Teixeira e Glauco de Leon Dias)

quinta-feira, abril 14, 2016

446 - História do Capão do Leão por Magda Costa - Parte 3

Diário da Manhã, 21/08/1983



"É indispensável que se revolva o passado, que a tradição desperte o ânimo coletivo, cultuando a sucessão dos velhos acontecimentos e na interposição dos anos, trazer viva a ação destemerosa dos que deixaram um legado imenso à posteridade ".   OLYNTHO SANMARTlN

Em 19 de fevereiro de 1737, Silva Paes comandando um contingente militar, desembarcava em Rio Grande, instalava-se e passava a acolher os egressos da Colônia do Sacramento, cumpria-se noutro termo os objetivos de Martin Affónso de Souza,  quando por estas paragens andou. Martin Affonso e a sua expedição com suas caravelas singravam o Atlântico em missão de reconhecimento da costa sul até o estuário do Prata, observando e denominando os acidentes que encontravam. O Brigadeiro José da Silva Paes-, ocupando a margem do Canal de São Pedro do Rio Grande, propiciava ao cetro Lusitano a sua projeção aqui na região sul, resguardando dessa maneira, para a Coroa, a riqueza das terras do chamado "Continente de São Pedro", em 1808, com o restabelecimento da sua condição de Vila, deixava de ser a Capital, entretanto no desenvolver dessa gloriosa marcha, houvera surgido Pelotas. Em 1758, Gomes Frei de Andrade, Conde de Bobadela, "Capitão-General das Capitanias do Sul, tornava donatário do primeiro trato de terra, o Coronel Thomaz Luiz Osório". Essas terras partindo do rincão originário do município de Pelotas estendiam-se desde o Sangradouro Mirim (São Gonçalo) e arroio Pelotas, contornando o Arroio Correntes e de este até a lagoa dos Patos, no lugar de Cangussú. Com o andar do tempo o litoral ia sendo partilhado: Sete estâncias surgiram: Feitoria, Pelotas, Monte Bonito, Santa Barbara, São Thomé, Pavão e Sant' Anna (área do atual Capão do leão).  Dentre estas estâncias destacamos a de Raphael Pinto Bandeira, Thomaz Luiz Osório, Felix da Costa Pereira Furtado de Mendonça, Pe. Doutor Pedro Pereira Fernandes da Mesquita, respectivamente pai e tio do jornalista Hipólito da Costa Pereira Furtado de Mendonça; Tenente Juvenal Manuel Marques de Souza, José da Rosa, Fernandes Araujo e Braz da Silva.

Pelotas, desde o ano de 1830, quando foi desmembrado do Rio Grande, não sofreu um processo de estagnação, prosseguiu a sua marcha estruturando o seu progresso e junto dele o Capão do leão, o novel Município, motivo deste labor histórico.

"A História é a alma de um povo"! Alguém já disse e nós reforçamos, o conceito. Dos feitos realizados pelos seus antepassados emanam a força e a dignidade de uma nacionalidade. .

Ante o cenário do Capão do Leão, desfilavam as carretas rumando em direção ao Saco do laranjal, fazendo a travessia no Passo do Santa Barbara tomavam o rumo das Três Vendas, para atingirem o cotovelo do Pelotas, que uma vez transposto chegava à Foz do São Gonçalo. Algumas dessas carretas conduzindo' em seu interior fartas colheitas de trigo. Lá iam elas, por vezes atravessando as várzeas descampadas, onde aos poucos se construíam os municípios de Jaguarão, Herval e Arroio Grande. Algumas dessas carretas eram itinerantes desde  as Pontes da Palma, a chamada Estrada do Trigo, descendo rumo à Barra do Piratiní, com estágios na estância do Liscano, onde situava-se o Porto de D. Antonia,  para nesse porto vasar a mercadoria dos seus surrões nos porões dos hiates que desceriam o São Gonçalo, com destino aos mercados consumidores.

Faziam-se também ouvir pelas caladas da noite ou pelo amadurecer das madrugadas, o mugir do gado e a voz velada dos tropeiros que o impulsionava na carmnhada que se estendia desde as estâncias até aos estabelecimentos saladeris. Outras vezes, pelas tardes solarengas ou hiboernais, as tropas cruzavam-se com os mascates atravessando os campos. Doutra feita, os tropeiros ao regressar para os ranchos, "pelas maõazitas", à hora do "amargo", sob a sombra de uma árvore amiga mateavam e charlavam com algum estancieiro acompanhado do Piá, rumando à vila, para tratar de negócios.  Nesses encontros, quase sempre o assunto versava em torno do rendimento da safra dos cereaes ou do consumo do Charque. Foi num desses encontros onde se saboreia o amargo, adoçando a alma, que um estancieiro contou aos tropeiros que o filho do coronel Thomaz Luiz Osório, que tinha o mesmo nome do pai, ajudando o Junior, fundará o primeiro estabelecimento escolar no Rio Grande de São Pedro do Sul, em 21 de abril de 1768.

Dessa fascinante faina progressista participaram os primeiros moradores do Capão do Leão. Pioneiros de uma evolução sócio-econômica.

Dessa apreciável evolução, os leonenses, em unidade, são no presente, os legítimos legatários.
 

445 - História do Capão do Leão por Magda Costa - Parte 2

Diário da Manhã, 14/08/1983



"É o momento oportuno para prestar a grande (e tardia) homenagem a seu habitante mais ilustre, dando seu nome ao batismo da unidade geográfica. Pensamos que dando o nome de Hipólito da Costa ao município emancipado seria a maior demonstração de maturidade histórica - cultural, que se tenha noticia no municipalismo brasileiro. Estar-se-à resgatando para o Altar da Pátria, um nome ate aqui não suficientemente projetado em sua real grandeza.” - RAUL QUEVEDO

Em 20 de junho de 1807 ao concluir-se a medição do lugar denominado: Pantâno da Estiva, chegavam ao seguinte resultado:
350 braças pela margem do Rio do Pavão;
500 braças até o Passo do Pavão;
450 braças até a Picada do Cordão da Olaria;
250 braças até a Olaria;
300 braças em linha direta até as casas da

Estância do Pavão e dali até a margem do Arroio do Pavão; 1.100 braças à Oeste até o Capão do Contrabandista; 200 braças até ao final da divisa do Arroio do Contrabandista a um banhado cheio de Sarandis, onde foi levantado um Marco; 600 braças até o alto da Sombra, onde existem umas grandes pedras junto a um Coqueiro, 1350 braças, costa do Arroio do Feijão; 1250 braças até chegar ao fim do Arroio do Feijão, com umas casas de urna fazenda, então lá existente, ainda anotando-se 900 braças até o Arroio do Potreiro da Cria. (dados extraídos do acervo Histórico existente no Museu da Biblioteca Pública Pelotense. Lá pelo ano de 1777, essas extensões de terras dividiam-se em propriedades de Rafael Pinto Bandeira, Pe. Doutor (tio de Hipólito da Costa), Tet. Juvenal Manoel Marques de Souza, Felix da Costa Pereira Furtado de Mendonca, Fernando Araújo e José da Rosa. Em 20 de fevereiro de 1816 a Estância do Pavão, propriedade do Brigadeiro Rafael Pinto Bandeira, era vendida por seus legatários Comendador Domingos Monteiro Bandeira e sua mulher Josefa Pinto Bandeira, (filha do Brigadeiro) a José Barbosa Menezes, seus irmãos e seus parentes.

Em 7 de novembro de 1826, Antonio Manuel Fernandez e sua mulher Umbelina Luiza Fernandez, vendiam a José Ignácio da Cunha, um pedaço de terra denominado Capão do Leão e ainda um pequeno potreiro, no mesmo campo, bens esses que o casal tinha havido por legítima de sua sogra e mãe, D. Teresa da Silva Baldez. Fração de campo que em 1787 fora transacionada por Mânuel Moreira de Carvalho e sua mulher Maria dos Anjos da Encarnação à Alexandre da Silva Baldez. O referido campo, compreendia a metade da estância que haviam comprado de Antonio dos Santos Saloio. A propriedade confinava-se a leste com as terras de José da Silva, e o potreiro pertencente a Felix da Costa Pereira Furtado de Mendonça, lindeiro com a propriedade do Pe. Feliciano Antonio Almeida e a Oeste com Antonio Teixeira Corisco e ao Sul e Sudeste, limitava-se com a estância de Rafael Pinto Bandeira, um dos bravos estrategistas dos planos de combate contra as hostes guerreiras espanholas, comandadas pelo General D. Pedro Ceballos, por ocasião da invasão das Ilhas de Santa Catarina. Esse aguerrido combatente com a sua estratégia desarmava o General Ceballos, dos seus propósitos de retomar o Rio Grande que desde 1777 temperara a sua interpidez, com o sanpue derramado e a dor provocados pela vigencia do Tratado de Santo IIdefonso, por ocasião da retomada da Colônia do Sacramento.

O desenvolvimento e o progresso de São Pedro do Rio Grande eram muito maiores do Que a ambição da Coroa Espanhola.

A dor só produz sofrimento naqueles que não amoldam a sua resistência com a têmpera dos fortes, dos imbatíveis, ao contrário, ela abre os caminhos para a aprimoração individual e o progresso comunitário.

Os espanhóis compreendiam que estava acontecendo um milagre na região do Rio Grande do Sul.

Rafael Pinto Bandeira reprisando a bravura da legendária figura de Sepé Tiarajú,  rechaçava as hostes espanholas, comandando interpidos gaúchos desde as quebradas e coxilhas do Rio Grande, erguendo bem alto o brasão do seu ideal irmandado aos anseios daqueles que impulsionados pelo esforço e a tenacidade, plasmavam uma geração fecunda.

Certamente que esse brasão estaria gravado no fundo azul do ceu pampeano e constituir-se-ia de uma chave abrindo os portais do sol, para que ele derramasse os seus raios vivificantes sobre o solo gaúcho.

Os embates afrontados nas lides campesinas e nas fainas pelas charqueadas daqueles que povoavam e engrandeciam pelo trabalho os "tratos" de terra cuja origem tinha as suas raizes no Presidio de São Pedro do Rio Grande, refugiavam-se nas horas de lazeres no conhecido Bosque Benjamin no Capão do Leão (lá pelo ano de 1885) . "Au pitturesque Bosque" oferecia-Ihes excelente cardápio refeição aos ritmos de uma orquestra composta de maestrinos

Eis o Cardápio.
Assado com couro, almoço ou jantar           2&000
Cerveja estrangeira .                                         1&000
Cerveja Lag Bier                                                600 reis
Cerveja Dupla                                                    500 reis
Cerveja Simples                                                 400 reis
Suculentos manjares
Vinhos e Licores".


Nessa época o Brasil "Gigante deitado" sonhava com um futuro promissor. Atualmente o "Brasil" Gigante Deitado" sofre incríveis pesadelos. Desprende-se durante o sono e vai ao encontro do FMI.

444 - História do Capão do Leão por Magda Costa - Parte 1

Diário da Manhã, 07/08/1983



“Se a História é uma infinita paisagem que se mede por planos - são os planos da História, como disse alguém: as suas fases, os períodos as épocas; para serem devidamente apreciados os esforços dos fundadores”. -FERNANDO LUIS OSÓRIO

Em 1737 Silva Paes organizou as bases fundamentais do presidio do Rio Grande, que em 1747 transformava-se em vila. Fernando Luis Osório, escrevendo a História da cidade de Pelotas, diz: "Isto é, nunca o Rio Grande do
Sul, como pondera o sábio Saint-Hilaire - deixou de ser um presídio um acampamento bélico: - foi um simples fato nominal a categoria de Capitania que ele teve, depois de ser governo militar, sustentando em 76 anos, 11 campanhas e vivendo em guarda nas fronteiras:
1: O Rio Grande era denominado. O Sertão do Río Grande do Sul, cuja extensão territorial atingia o' Serro de Sant' Anna, parte integrante do atual Município do Capão do Leão.

Em 1774, existia em Pelotas, uma Companhia de Ordenanças. Só poderiam ser formadas onde existissem sessenta ou mais casais, de acordo com os termos da Carta Régia em 1747

Em 1774, o Alferes, Felix Pereira da Costa Furtado de Mendonça era destacado para servir na guarnição militar, sediada na Colônia do Sacramento, deixando as suas funções na Companhia de Ordenanças.

A transferência do casal Felix e Ana Pereira da Costa Furtado de Mendonça obstou que o precursor da Imprensa Brasileira, Hipólito José da Costa Pereira Furtado de Mendonça, viesse ao mundo sob o céu Rio-grandense.

Entretanto, essa glória cabe a nós, pelo Tratado de Madrid, firmado em 1759; 15 anos antes do nascimento do primeiro jornalista brasileiro, na Colônia do Sacramento, em 25 de março de 1774. Prossigamos com o nosso principal objetivo. Em 1807, por ocasião da medição do Cordão da Olaria, o Capão do Contrabandista, o Banhado dos Sarandis, onde fora levantado um Marco; a seguir surgia o Alto da Sombra terra recortada pelo Arroio San Thomé; donde divisava-se a costa do Arroio do Feijão, ostentando um coqueiro sobressaindo do centro de enormes pedras, que o tempo em sua faina destruidora rernordera-Ihes as extremidades.

Acolá, situava-se o Arroio das Pedras, completando o cenário do chamado Passo das Pedras de Cima, que dera origem ao arroio do mesmo nome. Havia a presença de um Salso com muitos braços, cercado de pedras, ele erguiase à flor da terra; Essas pedras marcavam a linha divisória do Estreito do Bosque, onde o arroio atravessava a Estância das Pedras. Um dos galhos do salso, alcançava um pequeno capão de mato, local onde situava-se uma enorme pedra de serra, que sobressaia da terra, medindo em perspectiva a altura de um homem e com as características de um ovo posto de pé, e um tanto inclinado para o pântano. Cortando o lado Norte, no seguimento do Arroio de San Thomé, proporcionando visibilidade até a estância que pertencia ao Pe. Doutor"
lindeira com· a Estância do Pavão, situada ao: Nordeste e pelo Sudeste, confrontando-se com o Boqueirão, que dava passagem à estrada geral, utilizada pelas Estâncias do Pavão e das Pedras, indo findar no local de origem do
Arroio do Feijão, até alcançar a divisa das fazenda dos Araujos . Toda essa situação topográfica, emprestava ao Capão do Leão, um cenário agreste e opulento. A fazenda dos Araujos localizava-se na area atualmente ocupada
pela "COLATE".

Os Araujos. eram grandes .charqueadores, e a charqueada lá existente, de propriedade deles, era um setor específico, altamente qualificado na economia da florescente Pelotas.

Em 7 de Dezembro de 1812, Pelotas, que desde o ano de 1749 deixara de pertencer a São Pedro do Rio Grande, elevava-se a categoria de Freguesia. Em 27 de Agosto de 1893 o Capão do Leão, tornava-se pelo Ato n° 12 4° Distrito de Pelotas e finalmente, pelo Decreto n" 7.647 de 3 de Maio de 1982 passou a ser Município.               '

A economia em potencial desse Município é imensurável, levando-se em conta que a Pedreira do Capão do Leão, está classificada em segundo lugar, no mundo; pois que, a detentora do primeiro lugar, localiza-se na União Soviética. Não é novidade histórica, que, grande parte das ruas de Buenos Aires, são calçadas com as pedras originárias da pedreira em apreço.

Para ilustrar o depoimento de hoje, vamos relatar ao leitor um episódio interessante que ficou inserido nos Anais da História do Caplo do Leão. O vereador Leonense, Enedino da Silva, quando por: ocasião de nossa visita áquele Município nos contou: que em 1870, uma empresa francesa, aprazou com a administração dos Cais do Rio Grande, as suas obras e a construção dos Molhes. Alguns engenheiros franceses vieram para  Capão do Leio, pois o material indispensável às obras, ali era encontrado. Por ocasião da permanência dos engenheiros franceses entre os antigos povoadores dessa comuna, desejando aqueles festejar a data de 14 de julho, que assinala a Queda da Bastilha hastearam na parte mais alta da pedreira, e bem visível, a bandeira francesa. Os Leonenses porém, movidos. de patriotismo, organizaram um protesto insolente, pondo campo a fora , os franceses e em lugar da outra bandeira, hastearam o Pavilhão Nacional.